No dia a dia, ele pode aparecer como uma camiseta, um lençol, um curativo ou até mesmo em aplicações industriais. No campo, representa uma das culturas de maior relevância econômica para o Brasil e uma cadeia produtiva que vai muito além da fibra.
Celebrado em 7 de outubro, o Dia Mundial do Algodão reconhece a importância da cultura para o desenvolvimento econômico, o comércio internacional e a geração de renda. A data foi oficializada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2021.
No Brasil, os números ajudam a dimensionar esse protagonismo, mostrando uma cotonicultura cada vez mais produtiva, competitiva e integrada a diferentes mercados.
Produção recorde em uma área menor
A safra 2025/26 reforça a força do algodão brasileiro. De acordo com o 12º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção está estimada em 4,14 milhões de toneladas de algodão em pluma, o maior volume da série histórica acompanhada pela companhia.
O resultado chama atenção também pela relação entre área e produtividade. A área cultivada está estimada em 2,02 milhões de hectares, uma retração de 3,2% em relação à safra anterior. Ainda assim, a produtividade média deve alcançar 2.053 kg de pluma por hectare, alta de 4,9% e novo recorde da série histórica da Conab.
Na prática, os dados mostram que o avanço da produção não depende apenas da expansão da área. O ganho de rendimento também tem papel central nesse resultado.
Para chegar a produtividades elevadas, a cultura demanda um conjunto de decisões técnicas ao longo do ciclo, envolvendo genética, estabelecimento da lavoura, disponibilidade hídrica, manejo fitossanitário e fertilidade do solo. A Embrapa destaca que o algodoeiro apresenta forte demanda por nutrientes durante o desenvolvimento, com aumento expressivo da absorção a partir das primeiras semanas e períodos de elevada exigência de nitrogênio, fósforo e potássio.
Do campo brasileiro para o mundo
A competitividade da cotonicultura brasileira também pode ser observada pelo desempenho nas exportações.
Em 2025, o Brasil exportou 3,02 milhões de toneladas de algodão, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O volume superou o recorde anterior e refletiu, entre outros fatores, o forte ritmo de embarques ao longo do ano.
Os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam 3,026 milhões de toneladas exportadas em 2025, contra 2,774 milhões de toneladas em 2024, um avanço de aproximadamente 9%.
Esse desempenho ocorre depois de um marco importante para a cotonicultura nacional: em 2024, o Brasil se consolidou como o maior exportador mundial de algodão, superando os Estados Unidos naquele momento. O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Agricultura e Pecuária registraram a consolidação da liderança brasileira, com 1,90 milhão de toneladas exportadas apenas nos primeiros nove meses daquele ano.
A liderança também aparece nas análises da FAO, que aponta Brasil e Estados Unidos como os maiores exportadores mundiais de algodão em 2024.
Uma cultura que movimenta bilhões
O algodão também representa um importante valor econômico dentro da agricultura brasileira.
Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, o valor da produção de algodão herbáceo chegou a R$ 40,57 bilhões em 2025. O montante representa um crescimento de aproximadamente 29% em relação aos R$ 31,33 bilhões registrados em 2024.
Em 2025, o IBGE contabilizou ainda 9,92 milhões de toneladas de algodão herbáceo, em 2,15 milhões de hectares de área colhida, com rendimento médio de 4.610 kg por hectare. Mato Grosso foi o principal estado produtor, seguido pela Bahia.
Aqui existe uma diferença importante de metodologia: enquanto a Conab utiliza, em seu acompanhamento da safra, a produção estimada de algodão em pluma, os dados da PAM/IBGE para algodão herbáceo consideram o produto em caroço. Por isso, os números de produção e produtividade das duas fontes não devem ser comparados diretamente como se representassem a mesma medida.
Ainda assim, os dois conjuntos de dados apontam para a mesma direção: a relevância econômica da cotonicultura brasileira segue crescendo.
Não é só fibra
Quando se fala em algodão, a primeira imagem que vem à cabeça costuma ser a pluma. É nela que está a principal matéria-prima para a indústria têxtil, responsável pela fabricação de fios e tecidos.
Mas a cadeia começa a se diversificar justamente a partir do beneficiamento do algodão em caroço.
A pluma é formada pelas fibras mais longas e tem como principal destino a fabricação de fios para a indústria têxtil. Já o línter é composto por fibras curtas, que permanecem aderidas ao caroço depois do descaroçamento e pode ser direcionado para diferentes aplicações industriais, como celulose, papel, materiais absorventes e produtos médico-hospitalares.
O caroço, por sua vez, também possui valor econômico. Ele pode passar por processos de beneficiamento que permitem a obtenção de óleo e de coprodutos proteicos utilizados, principalmente, na alimentação animal.
O que pode sair do caroço do algodão?
Depois do descaroçamento, o caroço ainda concentra diferentes possibilidades de aproveitamento.
O óleo de algodão pode ser destinado à alimentação e a outras aplicações industriais. A extração do óleo também gera materiais ricos em proteína, comercializados como torta ou farelo de algodão, dependendo do processo utilizado. Esses coprodutos têm participação relevante na alimentação animal.
A diferença entre torta e farelo está, em grande parte, relacionada ao método de extração. Na prensagem, por exemplo, o material resultante mantém parte do óleo residual e é comercializado como torta; processos de extração mais intensivos podem gerar farelo com maior concentração proteica.
O aproveitamento do caroço e de seus derivados amplia o valor gerado pela cotonicultura e ajuda a explicar por que o impacto econômico da cultura vai muito além da produção de fibras.
Uma planta, várias cadeias
Pluma, caroço, óleo, farelo, torta e línter mostram como o algodão conecta diferentes setores da economia.
A pluma aproxima o campo da indústria têxtil. O óleo chega à indústria de alimentos e a outros segmentos. Os coprodutos proteicos encontram espaço na alimentação animal. O línter, por suas características fibrosas, pode seguir para diferentes aplicações industriais.
É essa capacidade de gerar diferentes produtos a partir de uma mesma cultura que torna o algodão uma cadeia tão estratégica.
E os números da produção brasileira ajudam a contar essa história: 4,14 milhões de toneladas de pluma estimadas para a safra 2025/26, produtividade recorde de 2.053 kg/ha, mais de 3 milhões de toneladas exportadas em 2025 e R$ 40,57 bilhões em valor da produção em 2025.
Por trás de cada pluma existe uma cadeia inteira: do campo à indústria, do mercado interno ao comércio internacional.
E, no caso do algodão brasileiro, essa cadeia está cada vez maior.








